Noites quaisquer, noites mal dormidas, noites de lua, ou não, chuvosas, sombrias, divertidas, nada mais que noites. E em um dessas procurava andar como outrora, nada feito. Encontrei-a, de branca face, de limpa pele, de lágrima triste, acomodada como era conveniente. Passavam duas correntes, uma em seu rosto, uma em seus pés, cheia de entulhos sociais e medíocres. Passava-me curiosidade, me passava pena, recordações. E do alto da rua, brilhava seus olhos que me viam, sem medo, sem amor. Busquei ir a um canto atrás, mas as pernas me faltavam coragem, ou até mesmo, consegui força. Saí devagar a vagar entre as paredes de casebres, sem saber qual era o destino. Fui guiado e levado por meus pés. Uma goteira que me atingira me levava a despertar, a acordar, a pensar. Tudo muito rápido alterei o curso, fui contra as águas corridas, fui ao ponto da partida. E fraco corri por outras emparedadas, molhadas e sujas, ou não. Passei pelas lâmpadas que deixavam aos poucos que a lua pudesse dar seu show e demonstrar sua beleza. Guardei algo que me protegia das águas verticais, pois me atrapalhava a corrida. Olhei para trás e percebi ser seguido, não identificara tal ser. De susto acelerei-me, medroso, sem calmas. Entrei em um carro que ainda trabalhava naquela noite, o mesmo fez o outro, ou a outra. Uma corrida se fazia, ou muitas, materiais, sentimentais. Irritava-me. Parei. Molhava-me novamente diante da grande Rio, diante do grande Cristo, iluminado agora, via novamente aquele brilho no olhar, que me fascinava. Toquei em sua face, em sua crosta, em seus seios, em suas pernas. Desabotoava seu vestido, puxava suas vestes e isso também era feito em mim. A deitei nas pedras fixas no chão e despido... Um alumbramento de primeira vista. De vista primeira...

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